Henry Perowne é um neuro-cirurgião muito bem sucedido, bem casado, com um lindo casal de filhos, vivendo na linda e rica Londres, mas sua vida, sua segurança e também a da cidade onde vive, subitamente vê-se ameaçada.Estamos em 2002, um ano depois dos ataques ao WTC em Nova York e o primeiro mundo aguarda assustado ao cumprimento das ameaças de mais ataques dos radicais islâmicos.As notícias dão como sendo uma questão de tempo até que as bombas sejam detonadas em Londres.Da sua janela um insone Henry, de madrugada, assiste atônito à imagem de um avião em chamas, seria um atentado? Ou mera paranóia?
E dentro em pouco o próprio mundo pessoal de Henry será invadido pela desordem e violência.Enquanto no plano mundial os intrusos islâmicos põem fim à ideia de segurança ocidental, no lar do dr. Perowne a harmonia é pervertida pela ameaça de assaltantes que buscam vingança.
Tudo isso e mais um pouco ocorre num único dia."Sábado" é esse dia e é também o título do livro de Ian McEwan.Um livro que começa episódico, expondo a rotina do dr. Perowne, os casos de seus pacientes sucedem-se como num episódio de "House" ou "Grey's Anatomy".Tudo bem ligeiro e superficial, cheio de termos médicos ("termo-coagulação", "gânglio trigeminal").Mas aos poucos o texto vai ganhando densidade e quando achamos que todo ele se manterá no nível do relato e do fluxo de consciência do quarentão Henry Perowne, dá-se o incidente com os assaltantes, jogando um manto de suspense a ação numa narrativa prosaica e reflexiva.
Como já foi dito, o livro todo é o relato de um único sábado, esporádicamente interrompido por reminiscências de Perowne, lembranças de sua mãe, agora internada com Mal de Alzheimer, do início do romance com a esposa Rosalind, do difícil relacionamento com o sogro, o velho poeta John Grammaticus e do orgulho por seus dois filhos, o blueseiro Theo e a poeta prestes a publicar seu primeiro livro Daisy, com quem ele duela sobre a necessidade ou não de haver uma guerra e uma invasão por tropas americanas no Iraque, ele a favor, ela contra.
Enfim, "Sábado" não chega a ser "o melhor romance de sua geração" como diz a contracapa mas é, digamos, diversão garantida por conta da boa conjugação de elementos (reminiscências, analises da conjuntura atual, suspense) e apesar da prosa contida e de um brilho fosco de Ian McEwan, afinal, não deixa de ser um brilho.