
Já foi dito que o personagem principal das histórias de Honoré de Balzac (1799 – 1850) é o dinheiro, que os atos de seus personagens são sempre conduzidos pelas implicações financeiras em jogo mais do que por aspectos emocionais.Lendo “O Pai Goriot”, percebe-se que essa visão não é de todo equivocada.O livro foi publicado em 1835 mas passa-se em 1819.Seus protagonistas são hóspedes da pensão da senhora Vauquer, uma viúva de certa idade, muito simpática com seus hóspedes desde que estivessem em dia nas suas despesas e não lhe causassem problemas com a lei, do contrário ela não hesitaria em entregar-lhes a quem de direito.A pensão da senhora Vauquer abrigava tanto homens e mulheres, jovens e idosos.Entre as mulheres lá viviam a sra. Couture, também viúva e uma sua dama de companhia, a srta. Victorine Taillefer, que apesar de jovem tinha uma aparencia doentia.A senhorita Michonneau igualmente não inspirava olheres desejosos ou de admiração, era mal vestida e magra demais.As tres padeciam do maior impeditivo à elegancia e beleza de uma mulher, a falta de recursos para se tornarem bonitas e elegantes.
Os homens da casa eram o velho sr. Poiret, que mais parecia um morto-vivo, o falastrão sr. Vautrin, metido a entender tanto de consertos domésticos como de política e da vida mundana de Paris.Fazia dupla com ele nos ditos espirituosos à mesa durante as refeições o pintor Bianchon e Eugene de Rastignac, um estudante de direito que contava com os conselhos de Vautrin para adentrar na alta sociedade parisiense.E havia aquele cujo nome dá título ao livro, o pai Goriot, apelidado assim pelos outros pensionistas por conta das frequentes visitas femininas que recebia.Quando perguntado sobre a identidade da moça que havia acabado de estar com ele, dizia que ela era uma “filha”sua.O pai Goriot era tratado com escárnio pelos hóspedes e com um certo desprezo pela dona da pensão, a senhora Vauquer.Pois esta havia visto o velho dilapidar ao longo dos anos toda a sua vultosa renda que fazia questão de ostentar quando ali chegara.E sempre com festas e presentes para suas queridas “filhas”.O que a indignava era o não ter podido usufruir de toda aquela fortuna por meio de união com o velho.
O pai Goriot tivera suas amantes e fora por elas explorado mas nenhum dos ocupantes da pensão imaginaria que duas das jovens bem vestidas que lhe visitavam eram realmente suas filhas, Anastasia de Restaud e Delphine de Nucingen.As duas casadas, gozando da pequena fortuna que seus maridos lhe entregavam mas ao mesmo tempo controlavam a ponto de elas se sentirem escravizadas e tolhidas.O estudante Eugene de Rastignac, tentando uma aproximação ora com uma ora com outra visando tornar-se amante de uma das duas acaba descobrindo os laços que as uniam ao patético Goriot, aquele mesmo que na pensão dava-lhe pena.O segredo que elas e ele mantinham a todo custo provinha da vergonha que as jovens carregavam pelo pai pobre.
Outro personagem capital na trama é o sr. Vautrin.Ele inicialmente percebe os esforços de Rastignac, suas artimanhas para penetrar no mundo mundano de Paris, e de certa forma reconhece-se nele.Ironicamente e com ares meio diabólicos, aproxima-se do jovem como o diabo do personagem Fausto de Goethe.Vautrin propõe um golpe em que por meio de um duelo provocado por ele a um jovem herdeiro de uma conhecida família parisiense, provocaria a morte deste, fazendo com que a fortuna beneficiasse sua irmã, a quem Rastignac se ligaria amorosamente podendo usufruir de todas as benesses financeiras.O estudante fica chocado com a proposta mas não declina nem impede que Vautrin coloque-a em prática, sendo, astuto como era, inteiramente bem sucedido no que havia planejado.Acontece que o jovem Rastignac havia se apaixonado por Delphine de Nucingen, a filha do pai Goriot, e não suporta a idéia de se unir a uma jovem apenas pelo dinheiro, ainda mais tendo o peso de indiretamente ter sido cúmplice na morte do irmão dela.
Mas o contrato entre os dois se desfaz pois Vautrin acaba preso, desmascarado como sendo um forçado foragido da justiça.Rastignac ve-se livre para a união com Delphine, coisa que não acontece pois ela escolhe continuar na vida confortável mas vigiada impingida por seu marido.O pai Goriot acaba morrendo pobre e sozinho renegado por suas duas filhas e com Rastignac tendo que pagar do seu bolso os préstimos do sepultamento.Apesar de toda a desdita Rastignac não abandona Paris, resolve voltar a frequentar os salões da alta sociedade, tendo em mente que dali em diante se quiser deixar de ser um derrotado terá que derrotar alguém.
Uma característica comum entre os hóspedes da pensão é a falta de dinheiro, todos eles vestem-se mal e tem um histórico parecido, viviam uma situação financeira confortável que por razões diversas foi se transformando em penúria.Mas essa coincidencia no infortúnio não criou, como seria de se esperar, algum sentimento de solidariedade entre eles, pelo contrário, o ambiente é de egoísmo, inveja e ganancia.Balzac com sua escrita epistolar e sua ironia mordaz não tem ilusões com a sociedade parisiense.A história termina sem um final feliz assim como ocorre na vida de todos nós, ou como no dia a dia de uma cidade em que o dinheiro, tanto no século dezenove como nos dias de hoje, fala cada vez mais alto.
Os homens da casa eram o velho sr. Poiret, que mais parecia um morto-vivo, o falastrão sr. Vautrin, metido a entender tanto de consertos domésticos como de política e da vida mundana de Paris.Fazia dupla com ele nos ditos espirituosos à mesa durante as refeições o pintor Bianchon e Eugene de Rastignac, um estudante de direito que contava com os conselhos de Vautrin para adentrar na alta sociedade parisiense.E havia aquele cujo nome dá título ao livro, o pai Goriot, apelidado assim pelos outros pensionistas por conta das frequentes visitas femininas que recebia.Quando perguntado sobre a identidade da moça que havia acabado de estar com ele, dizia que ela era uma “filha”sua.O pai Goriot era tratado com escárnio pelos hóspedes e com um certo desprezo pela dona da pensão, a senhora Vauquer.Pois esta havia visto o velho dilapidar ao longo dos anos toda a sua vultosa renda que fazia questão de ostentar quando ali chegara.E sempre com festas e presentes para suas queridas “filhas”.O que a indignava era o não ter podido usufruir de toda aquela fortuna por meio de união com o velho.
O pai Goriot tivera suas amantes e fora por elas explorado mas nenhum dos ocupantes da pensão imaginaria que duas das jovens bem vestidas que lhe visitavam eram realmente suas filhas, Anastasia de Restaud e Delphine de Nucingen.As duas casadas, gozando da pequena fortuna que seus maridos lhe entregavam mas ao mesmo tempo controlavam a ponto de elas se sentirem escravizadas e tolhidas.O estudante Eugene de Rastignac, tentando uma aproximação ora com uma ora com outra visando tornar-se amante de uma das duas acaba descobrindo os laços que as uniam ao patético Goriot, aquele mesmo que na pensão dava-lhe pena.O segredo que elas e ele mantinham a todo custo provinha da vergonha que as jovens carregavam pelo pai pobre.
Outro personagem capital na trama é o sr. Vautrin.Ele inicialmente percebe os esforços de Rastignac, suas artimanhas para penetrar no mundo mundano de Paris, e de certa forma reconhece-se nele.Ironicamente e com ares meio diabólicos, aproxima-se do jovem como o diabo do personagem Fausto de Goethe.Vautrin propõe um golpe em que por meio de um duelo provocado por ele a um jovem herdeiro de uma conhecida família parisiense, provocaria a morte deste, fazendo com que a fortuna beneficiasse sua irmã, a quem Rastignac se ligaria amorosamente podendo usufruir de todas as benesses financeiras.O estudante fica chocado com a proposta mas não declina nem impede que Vautrin coloque-a em prática, sendo, astuto como era, inteiramente bem sucedido no que havia planejado.Acontece que o jovem Rastignac havia se apaixonado por Delphine de Nucingen, a filha do pai Goriot, e não suporta a idéia de se unir a uma jovem apenas pelo dinheiro, ainda mais tendo o peso de indiretamente ter sido cúmplice na morte do irmão dela.
Mas o contrato entre os dois se desfaz pois Vautrin acaba preso, desmascarado como sendo um forçado foragido da justiça.Rastignac ve-se livre para a união com Delphine, coisa que não acontece pois ela escolhe continuar na vida confortável mas vigiada impingida por seu marido.O pai Goriot acaba morrendo pobre e sozinho renegado por suas duas filhas e com Rastignac tendo que pagar do seu bolso os préstimos do sepultamento.Apesar de toda a desdita Rastignac não abandona Paris, resolve voltar a frequentar os salões da alta sociedade, tendo em mente que dali em diante se quiser deixar de ser um derrotado terá que derrotar alguém.
Uma característica comum entre os hóspedes da pensão é a falta de dinheiro, todos eles vestem-se mal e tem um histórico parecido, viviam uma situação financeira confortável que por razões diversas foi se transformando em penúria.Mas essa coincidencia no infortúnio não criou, como seria de se esperar, algum sentimento de solidariedade entre eles, pelo contrário, o ambiente é de egoísmo, inveja e ganancia.Balzac com sua escrita epistolar e sua ironia mordaz não tem ilusões com a sociedade parisiense.A história termina sem um final feliz assim como ocorre na vida de todos nós, ou como no dia a dia de uma cidade em que o dinheiro, tanto no século dezenove como nos dias de hoje, fala cada vez mais alto.

